Depois de chegar à Presidência há quatro anos com o projeto de "refundar" a Bolívia, Evo Morales foi beneficiado na votação deste domingo pelas várias das mudanças que promoveu no país --entre elas a própria instituição da reeleição.
Para analistas, as políticas de Morales tiveram sucesso em abrandar parte dos problemas crônicos de um país em que seis em cada dez cidadãos vivem na pobreza, embora haja também quem considere que parte das mudanças possa institucionalizar as tensões étnicas, sociais e geográficas.
"Evo Morales tem um mandato diferente de qualquer outro presidente do hemisfério, incluindo Barack Obama", disse o analista Jim Shultz do Centro de Democracia, em Cochabamba
. "Esta é a quinta eleição nacional em quatro anos, e sua margem de vitória só tem aumentado a cada vez".
Morales usou o aumento dos lucros da indústria de gás natural da Bolívia, que nacionalizou em maio de 2006, para fornecer subsídios extremamente populares para crianças e idosos, bem como um pagamento temporário para as novas mães.
Os preços mais altos do gás natural e minerais, que representam o quase o total das exportações da Bolívia, ajudaram a economia do país crescer 6% por cento no ano passado. O FMI (Fundo Monetário Internacional) projeta um crescimento de 2,8% em 2009, que seria o maior da América Latina.
O governo argumenta que o número de pobres está caindo e os subsídios têm estimulado o crescimento econômico durante o período de crise econômica global, especialmente devido ao crescimento do mercado interno.
"Vai haver uma luta de poder lá dentro, pelo caráter da hegemonia e pelo caráter da distribuição, ou da falta de distribuição, de poder que vai se manifestar pelo intento de centralizar o poder e isso obviamente vai gerar diferentes tipos de tensão dentro do MAS", diz Mirtenbaum.
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